dimanche 1 novembre 2009

Un enfant reste accroché à son aile gauche.
Loup noir,
menacé par le crépuscule,
le corps tendu,
il se libère des contours,
lance des fils colorés
tels des algues marines.
Ils voyagent d’un tableau à un autre.
Une sorte de circulation prédestinée
à l’absurde.

Le raisin est devenu un emballage,
La terre sucrée par les grappes
s’incruste sous les ongles,
sèche au cœur de ma robe.

Au centre, il y a un homme
couché au sol,
son masque est aveugle.
Sur lui le ventre plein
d’un être décapité.
Pas d’amertume au bout du chemin dallé.
L’homme est innocent
innocent, innocent.
Moi, je suis cette pierre
Bleue, qui se cristallise
dans une douce attente.
En toi le démon si doux de l’absence.
Mon ventre tremble,
La musique l’apaise.
Le rapace n’est pas loin.
Un dimanche tache
mon souvenir,
alors, je me peins
dedans, cachette,
antre, nid, pierre, voix.
Il y a eu un si fort reflet
de lumière sur la montagne.
J’ai senti mon corps
flotter

au plafond.
C’était le baiser de dieu
qui me consumait.
Finalement tout ceci
est arrivé entre deux
mortelles étreintes
et c’est là,
où il y a eu l’impudique
apparition :
la terre est devenue ocre-rouge.
Après je me suis couverte la figure. au plafond.
C’était le baiser de dieu
qui me consumait.
Finalement tout ceci
est arrivé entre deux
mortelles étreintes
et c’est là,
où il y a eu l’impudique
apparition :
la terre est devenue ocre-rouge.
Après je me suis couverte la figure.

dimanche 11 octobre 2009

entre roupas e lençois

Hà noites com arco-iris.

Esperançosas crianças brincando no leito,
mostravamos os dentes, brilhantes, 
na sombra de um beijo.
Vasculhavamos longe,
com destras linguas, o desejo
fundo de um céu em avesso.
 Guardavamos a mudez,
num espelho continuamente
reverso.


Madrugavamos juntos
com dedos enrolados
folhas, folhas, folhas nos pés
vibrando.
Eramos anjos a secarem ao vento,
entre roupas e lençois.



Morriamos cantando.


LM, 10. 10.09

jeudi 1 octobre 2009

Les amoureuse( extrait)

Inez, salomé, Hélène, écrivent, décrivent leurs désirs
dans des lettres d'amour
datées d'hier et d'aujourd'hui.
Un jeu surréaliste où les personnages se moquent du temps

qui passe et qui étrangle la passion.
L'intimité se brise en passant par l'indiscrétion de la lecture...
( à suivre)
LM O9

jeudi 24 septembre 2009



 

 

Uma historia menor

A paciência entardecia
uma estàtua
oferecendo delicadamente
na dobra do làbio,
hùmido e liso,
o beijo da morte,
ao seu musgo.

Azedas dobradas contra os muros,
quebravam-se ao sol.
Pedra, àgua, ferrugem
avermelhavam-me a boca.
Aveneno-me até chegares.
balbucio uma jura,
afasto dos olhos uma névoa,
abandono a coroa,
arranho os joelhos na reza.
Fico queda.
Lm
09.O9. 24

mercredi 23 septembre 2009

Bem de dia ou de noite



Bem de dia ou de noite

Bem de dia ou de noite,
pedia que me dissesses bem de nos,
e que o amor transbordasse no dobrar
dos lençois.
E que mais filhos viessem dessa dor
e com alguns risos, para bem da vida
que nos dava tanto.
E o homem que eras, acolheu  nos braços
essa soledade de menino antigo.
Nessas noites ou meios dias
corriamos  as persianas com o dia a empurrar
o amor para a cama.
E esse bem recolhido e aconchegado,
alargado, dizia que milagroso era
pedir esse bem, que mais nao fosse
nao te espantes agora, filho de alguém
que là longe, no seu canto distante,
repete baixinho o teu nome,
o da infância, amando-te tal qual um menino.

lundi 14 septembre 2009

Salgo as feridas









O às da cicatriz


Leio precipitadamente o teu nome
riscado no meio de umas palpebras vazias.
O bule de cha estala num feitiço de ervas,
Uma peça unica do enxoval e partilhas.
Aceito dar a cara neste mastigar viciado
em teu nome.
Fico tolhida no meio da minha praia.
Por detras, um espelho contigo ausente.
O teu nome como vicio talhado
a gillete azul no meu pulso.
Um somatorio, o às da cicatriz.
Salgo as feridas e abro o olho mortiço.
Leio o teu nome tatuado no céu da boca,
lambo-lhe a vogal.

Vagueio viciada nele.


LM. Março 08

mercredi 9 septembre 2009

um coraçao novo














Ela pediu-lhe um coraçao novo,
para lhe bordar outro destino.

Inez debruçou-se lenta e delicada,
para lhe ouvir os passos.
Esticou os braços e julgou toca-lo.

Ele chegou mais tarde, real.

( ... )

LM, 09